Uma declaração do presidente Lula sobre a profissão de gari gerou reação de trabalhadores da limpeza urbana em todo o país. Em vídeo, um ex-gari de 22 anos critica a fala e cobra a aprovação de projeto de lei que regulamenta a categoria, com piso salarial e adicional de periculosidade. O caso reabre a discussão sobre políticas públicas de valorização de trabalhadores essenciais.
"Ser gari não é profissão de pobre. Pobre é um país que não valoriza quem trabalha todos os dias para manter a cidade limpa."
O trabalho de garis e demais profissionais da limpeza urbana é essencial para a saúde pública e o funcionamento das cidades. No entanto, uma declaração recente do presidente Lula sobre a profissão gerou indignação entre trabalhadores do setor em todo o Brasil, reacendendo o debate sobre a valorização dessa categoria. O episódio coloca em evidência a necessidade de políticas públicas que reconheçam e dignifiquem o trabalho desses profissionais, que atuam diariamente na coleta de resíduos e na manutenção da higiene urbana.
Em um vídeo que circula nas redes sociais, um ex-gari, que trabalhou por 22 anos na profissão, teria afirmado: "Ser gari não é profissão de pobre. Pobre é um país que não valoriza quem trabalha todos os dias para manter a cidade limpa." Ele também teria cobrado do presidente a aprovação do Projeto de Lei 4146/2020, que tramita no Congresso Nacional e busca regulamentar a profissão, estabelecendo piso salarial e adicional de periculosidade de 40%. O vídeo destaca que mais de 400 mil pessoas trabalham na limpeza urbana no país, e que a fala presidencial teria ofendido essa categoria.
O episódio evidencia a importância de políticas públicas que valorizem trabalhadores essenciais, como os garis. A regulamentação da profissão, com melhores salários e condições de trabalho, é uma pauta que está em discussão no Legislativo e depende de prioridade política para avançar. A declaração presidencial, ao desqualificar a profissão, contrasta com a necessidade de reconhecimento institucional e pode influenciar negativamente a percepção social sobre esses trabalhadores. O debate, portanto, vai além da fala em si e envolve a formulação de políticas que garantam dignidade e respeito a quem contribui diretamente para a qualidade de vida nas cidades.