Reportagem do Estadão revela que Lula articulou com o diretor da PF o retorno de delegados cedidos ao Judiciário, medida interpretada como interferência política. Senador Jaques Wagner, investigado, afirmou que Lula o apoiou e que o presidente já enfrentou problemas piores.
"O presidente Lula já passou por coisas muito piores do que eu e está aí como presidente da República."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria interferido diretamente na Polícia Federal ao determinar o retorno de delegados cedidos ao Poder Judiciário, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A medida, articulada com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi vista por integrantes da corporação como uma tentativa de esvaziar investigações que atingem aliados do governo, como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o filho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva. A ação ocorre em meio às investigações do caso Master e de fraudes no INSS, que avançaram sobre pessoas próximas ao Planalto.
De acordo com a reportagem, o presidente teria comentado em uma transmissão ao lado de Andrei Rodrigues e reforçado em discurso que todos os delegados cedidos deveriam retornar à PF. Nos bastidores, a iniciativa foi interpretada como uma retaliação ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator dos casos do INSS e do Master. Investigadores apontam que o verdadeiro alvo seria o delegado Thiago Marcantônio, que atuou na Lava-Jato e assessora Mendonça. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal refutou o argumento oficial de fortalecimento da segurança pública.
Em entrevista, o senador Jaques Wagner afirmou que Lula o teria ligado para manifestar solidariedade e que o presidente já enfrentou problemas piores. A declaração gerou reações de perplexidade no meio político, sendo interpretada como um recado de que não pretende renunciar ao cargo de líder do governo. A oposição criticou a possível interferência política, enquanto o governo nega qualquer ingerência. O caso reforça o debate sobre a autonomia da Polícia Federal e a seletividade das investigações.