Governos do Brasil comparados

PIB, desemprego, Selic, resultado primário, dívida pública, inflação, Correios e negativados — cada indicador, governo por governo.

Dados compilados de fontes públicas oficiais (Banco Central, IBGE, Tesouro Nacional, Serasa, Correios) e reportagens baseadas nelas. Onde a fonte primária não tinha o número exato do período, o valor aparece como aproximado/faixa. Não é uma série oficial única — é uma compilação para comparação histórica.

PIB médio anual

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Pelo critério isolado de crescimento médio, Lula 1-2 lidera (+4,1% a.a.), impulsionado pelo boom de commodities e crédito abundante — um vento externo favorável, não só mérito de política interna. Dilma tem a pior marca (+0,4% a.a., com recessão de −3,4% no 2º mandato), a mais forte desde os anos 1930 até então. Lula 3 e Bolsonaro ficam numa faixa intermediária parecida (~1,5–3%), mas o número de Bolsonaro carrega o tombo de −3,3% em 2020 puxado pela pandemia, um choque que distorce a comparação direta com os demais.

Desemprego

Lula (1º e 2º mandatos) 2003–2010 Caiu de ~12% para ~6–7%
Dilma Rousseff 2011–ago/2016 Subiu de ~6,8% para ~11,6%
Jair Bolsonaro 2019–2022 ~12% (pico de 13,7% em 2020) → 9,2% (2022)
Lula (3º mandato, em curso) 2023–2026* Caiu para ~5,6–6% (mínima histórica da série)
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Lula 3 registra a menor taxa da série do IBGE (mínima histórica, iniciada em 2012), seguido de perto por Lula 1-2 (queda de ~12% para 6–7%). Dilma e Temer marcam o pior momento (11,6% e 12–13%), reflexo direto da recessão de 2015–2016. Desemprego baixo não garante renda melhor: Lula 3 combina emprego em mínima histórica com Selic alta e recorde de negativados, o que sugere que o aperto financeiro das famílias hoje vem mais do custo do crédito do que da falta de trabalho.

Selic média

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Bolsonaro tem a menor Selic média do período (~6,6%, mínima histórica em 2020–2021), num contexto excepcional de pandemia com estímulo monetário global. FHC tem o pico mais alto (45% em 1999, crise cambial). Comparar "Selic média" isoladamente é enganoso: ela reflete a resposta do Banco Central à inflação e ao cenário externo de cada momento, não uma escolha arbitrária de cada governo — o BC é formalmente independente desde 2021.

Resultado primário (% do PIB)

Fernando Henrique Cardoso 1995–2002 Superávits nos anos finais do mandato
Lula (1º e 2º mandatos) 2003–2010 Superávits consistentes (~2% do PIB)
Dilma Rousseff 2011–ago/2016 Superávit → déficit forte (−2% a −2,6% do PIB)
Michel Temer ago/2016–2018 Déficit (~−1,7% a −1,9% do PIB)
Jair Bolsonaro 2019–2022 Déficit forte em 2020 (pandemia); superávit em 2022
Lula (3º mandato, em curso) 2023–2026* Déficit (2023: ~−1,4% do PIB; oscilou depois)
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Lula 1-2 é o único período com superávits primários consistentes e relevantes (~2% do PIB) por vários anos seguidos. Do 2º mandato de Dilma em diante — incluindo Lula 3 — o padrão é déficit primário na maior parte do tempo. Bolsonaro fechou 2022 em superávit dentro desse grupo mais recente, mas em boa parte por receita extraordinária (alta de commodities e arrecadação pós-pandemia), não por corte estrutural de despesa, segundo analistas fiscais.

Dívida bruta (início → fim do mandato)

Fernando Henrique Cardoso 1995–2002 ~30–35% do PIB → ~55–60% do PIB
Lula (1º e 2º mandatos) 2003–2010 ~55–60% do PIB → 51,5% do PIB
Dilma Rousseff 2011–ago/2016 51,5% do PIB → ~70% do PIB
Michel Temer ago/2016–2018 ~70% do PIB → 76,5% do PIB
Jair Bolsonaro 2019–2022 75,8% do PIB → 71,7% do PIB
Lula (3º mandato, em curso) 2023–2026* 71,7% do PIB → ~81–82% do PIB (meados de 2026)
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A dívida bruta cresce de forma praticamente contínua desde FHC (~30–35% do PIB) até o patamar mais recente (~81–82% do PIB em Lula 3), com uma única queda relevante em Lula 1-2 (de ~55–60% para 51,5%), puxada pelo forte crescimento do PIB — que reduz a razão dívida/PIB mesmo sem grande ajuste fiscal. Dilma, Temer e Bolsonaro somados explicam boa parte do salto seguinte (de 51,5% para 71,7–76,5%), em meio a recessão, teto de gastos furado e pandemia. Lula 3 manteve a trajetória de alta, atingindo o maior nível da série.

Inflação — IPCA (média / pico)

Itamar Franco 1992–1994 — / pico: Hiperinflação → 22,4% (1995, já sob Plano Real)
Fernando Henrique Cardoso 1995–2002 ~7–8% / pico: 12,5% (2002)
Dilma Rousseff 2011–ago/2016 ~7% / pico: 10,67% (2015)
Michel Temer ago/2016–2018 ~3,5% / pico: 2,95% (2017, a mais baixa da série recente)
Jair Bolsonaro 2019–2022 ~6% / pico: 10,06% (2021)
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Itamar Franco lidera com folga por causa da hiperinflação, situação sem comparação com os demais e encerrada pelo Plano Real em 1994. Entre os governos já cobertos pela série moderna do IPCA, Temer teve o menor pico (2,95% em 2017) e a menor média (~3,5%), enquanto FHC (12,5% em 2002, crise cambial) e Bolsonaro (10,06% em 2021, choque de pandemia e guerra na Ucrânia) tiveram os picos mais altos. É comum debates citarem 14% para a inflação de Dilma — o pico real foi 10,67% (2015); o número maior provavelmente vem de confusão com outro indicador ou período.

Correios (resultado)

Lula (1º e 2º mandatos) 2003–2010 Lucros em vários anos
Dilma Rousseff 2011–ago/2016 Prejuízos grandes (2015–2016)
Michel Temer ago/2016–2018 Lucro em 2017–2018
Jair Bolsonaro 2019–2022 Lucro em 2019–2021 (recorde de R$ 3,7 bi em 2021); prejuízo já no 4º tri de 2022
Lula (3º mandato, em curso) 2023–2026* Prejuízo crescente — recorde histórico de R$ 8,5 bi em 2025 (pior resultado desde o Plano Real)
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A estatal deu lucro na maior parte de Lula 1-2, teve prejuízos fortes no fim do governo Dilma (2015–2016, junto com a recessão geral), voltou a lucrar em Temer e no início de Bolsonaro (recorde de R$ 3,7 bi em 2021), e entrou em prejuízo crescente a partir do 4º trimestre de 2022, culminando no pior resultado da história em 2025 (R$ 8,5 bi) sob Lula 3. O padrão acompanha de perto o ciclo econômico geral e a concorrência do e-commerce privado, mais do que decisões isoladas de gestão de cada governo.

Negativados (fim do mandato)

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A série de negativados do Serasa usada aqui só está disponível a partir do fim do governo Bolsonaro (~69,4 milhões, dez/2022) e bateu recorde histórico em Lula 3 (83,7–83,9 milhões, meados de 2026). Isso ocorre justamente num momento de desemprego em mínima histórica, o que reforça que o principal motor da inadimplência atual é o custo do crédito (Selic em ~12,5%) e o superendividamento, não a falta de renda do trabalho. Sem dados anteriores a 2022, não é possível comparar esse indicador com os demais governos da tabela.

Fontes

Dívida Bruta do Governo Geral (% do PIB)Banco Central — Série histórica da Dívida Bruta e Líquida

Dívida Bruta do Governo Geral (% do PIB)Banco Central — Dados Abertos (SGS)

Dívida Bruta do Governo Geral (% do PIB)Banco Central — Notas para a Imprensa (Finanças Públicas)

PIBIBGE — Contas Nacionais Trimestrais

DesempregoIBGE — PNAD Contínua

DesempregoSIDRA/IBGE — Taxa de desocupação

DesempregoIpeadata — Série PNAD Contínua

SelicBanco Central — Histórico da taxa Selic

Resultado PrimárioTesouro Nacional — Resultado do Tesouro Nacional (RTN)

Resultado PrimárioTesouro Nacional — Séries Temporais

Resultado PrimárioDados.gov.br — Resultado do Tesouro Nacional

Inflação (IPCA)IBGE/SIDRA — Série histórica do IPCA

CorreiosCorreios — Demonstrações Financeiras (ECT)

NegativadosSerasa Experian — Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas

NegativadosSerasa Experian — Sala de Imprensa